'' As palavras não nascem amarradas,
elas saltam, se beijam, se dissolvem,
no céu livres por vezes um desenho,
são puras, largas, autênticas, indevassáveis.''

Carlos Drummond de Andrade

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Igualdade coletiva

   A grande quantidade de informações circuladas, os estereótipos criados, os diferentes grupos sociais formados e o ''way of life' da pós-modernidade que é lançado através da mídia influência diretamente no comportamento das pessoas, que se moldam para poder sentir que estão incluídos nessa nova sociedade contemporânea. Presenciamos atualmente uma coletividade de personalidade, do corpo perfeito, do Ser consumidor.
   Vivemos em uma época em que o sujeito está em metamorfose constante, crianças se comportam como adultos e adultos se comportam como crianças. As mulheres, mais afetadas, por esse desejo de serem aceitas nessa sociedade que exalta o belo e o novo, buscam a todo custo a jovialidade através da estética perfeita, do vestuário e do modo de agir. Para viver em ''harmonia'' com essa nova situação é necessário então tornamos cópias desses diferentes padrões estabelecidos.
   A pessoa que nasce nessa era social, já cresce em trono do modismo cultural, do efêmero do supérfluo e do consumo descartável. Um fator determinante para essas mudanças é o incentivo ao consumo, o individuo compra no intuito de obter uma forma de ser inserido nesse contexto social, aconteceu uma inversão de valores onde ter roupas de marca, cabelo da moda, dinheiro e corpo escultural é mais exaltado do que ter um bom caráter, dignidade ou honestidade.
   Convivemos com uma grande valorização do Eu enquanto a palavra ''próximo''  nos parece esquecida. Decorrente do processo de metamorfose o sujeito acaba perdendo traços da sua personalidade, surge uma homogeneidade de ideais e são tantos vivendo para si e por si que esse contexto social que vivemos tornou-se uma sociedade em que a individualidade passou a ser coletiva.


                                                      { Beatriiz Araujo }

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Vende-se um coração.



Resolvi vender meu coração, penso que outros farão melhor uso dele.
Acho que cansei de ter um coração. Ou foi ele que cansou de habitar em mim ?
Não sei ao certo, só sei que não o quero mais.
Ele me faz ser emocional demais,
carente demais,
romântica demais,
apegada demais... Tá ai o problema..  é tudo DEMAIS..
Ele não consegue ser MENOS..
menos emocional,
menos romântico,
menos carente,
nem muito menos apegado.. Ele se apega, apega e apega.. e eu não sei como fazer isso parar.
Então foi por todas essas razões que resolvi me livrar dele.
Eu sei que ele não foi sempre assim.. ele já foi mais contido, mais reservado e mais fechado.
 Até o dia que destrancaram ele(maldita ou bendita hora?) e pronto.
Ele ficou assim, quer ter o controle sobre mim.
Bate acelerado sem que eu queira quando ouve um telefone tocando ou pára quando escuta aquela voz..
é assim o tempo todo, me fazendo viver nessa montanha russa.
E eu desisto de viver assim!
Entendo que ele não se encontra no seu melhor estado, está sem alguns pedaços, sofre palpitações repentinas, anda meio murcho, além de ter sentimentos teimosos que teimam em morar nele, penso também que deve estar meio desbotado e por isso a venda se tornará mais difícil.
Mas garanto que a partir do momento que esse meu coração se desligar do meus pensamentos muitos desses problemas desaparecerão(espero que meus pensamentos e sentimentos sumam com ele).
Imagino que tem muitos por ai que possuem corações em pior estado que o meu e devem ficar contentes em adquirir um em melhores condições.
E eu por enquanto, quero ficar sem nenhum..
Cuidarei primeiro das lembranças e sensações que insistem em habitar minha mente e se entranhar no meu ser. Assim que ficar bem e refeita, compro outro e sei que tudo começará outra vez!


{ Beatriiz Araujo }


domingo, 9 de janeiro de 2011

e agora, se faz o quê?

Acabou antes que todo o afeto acabasse...
 Antes que se aprendesse como esquecer...
  Antes até que o calor do abraço sumisse.

Como se faz com uma dor que não consegue parar de doer?
 Com o beijo que tinha que ser dado?
Ou com o coração que ainda bate acelerado?

 Você vai juntando:
 palavras que não foram ditas,
  abraços vazios,
    tardes sozinhas,
        fotos tiradas,
           aquele cheiro reconfortante, aquelas risadas fáceis...
  
Há tanta coisa pra juntar,
      tanta coisa que se quer esquecer mais não se sabe como...
 e agora, o que se faz ?



 { Beatriiz Araujo }